sábado, 5 de julho de 2008

Olhar...


Hoje eu não vou escrever, mas vou deixar um poema que me chegou por acaso, mas será por acaso mesmo. Ele diz bem o que eu gostaria de dizer! Com vocês uma das vozes e pessoas de Fernando Pessoa


O meu olhar é nítido como um girassol....


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...


Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914
(um dos heterônimos de Fernando Pessoa)

3 comentários:

Ricardo Duarte disse...

Oi, Letty!
Adoro Fernando Pessoa. Bela escolha.
Saudades de você.
Beijos

Kassandra Viana disse...

Le, que lindo!!! Aplausos!!! Ah, Fernando Pessoa na pessoa de Alberto Caeiro é tudibom!!! Amo toda a sua leveza e beleza...

Adorei \o/

Ane disse...

Esse é o Fernando Pessoa!! Tem cada texto que tira o fôlego!!
Bjos!