sábado, 19 de agosto de 2017

Olhos de Carvão - Afonso Borges



Imagem de divulgação da Editora Record

Olhos de Carvão é um livro com 26 contos que dialogam com o leitor, como se estivéssemos debaixo de uma frondosa árvore ouvindo alguém nos contar histórias. Foi esse o sentimento que tive ao ler.

São histórias recheadas do sentimento mineiro de andar, falar e se relacionar com o outro. Para quem é de Belo Horizonte ou conhece a cidade, irá se reconhecer pelas ruas e avenidas de nossa cidade jardim.

O livro é daqueles de ler de um fôlego só, e para sempre reler e reler seus contos que mantém um pacto com o leitor dos vários causos ali presentes. Obrigada Afonso por esse carinho em forma de literatura!

Dentre eles, destaco seis que me chamaram a atenção:  

Em Gaza, os olhos de vidro e Lucas
Cova rasa, o delegado e o 32 cano longo
Na divisa, os olhos de carvão de Celeste
Roberto, França e o duelo na Savassi
Semímaris, Rio 40 graus e o colchão colorido
Duas mortes, um acidente e o amor, que tarda


E não vou falar deles para não dar spoilers. Mas leiam! Sintam-se sentados debaixo de uma frondosa árvore, com pássaros cantando! E por que não, se reconhecendo naquelas belas histórias de humanidade?

Para conhecer mais do autor, Afonso Borges, conheçam o Sempre um Papo e também a coluna Mondolivro.

Recomendadíssima leitura!

Por Letícia Alves 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Quando os livros foram à Guerra: as histórias que ajudaram os aliados a vencer a Segunda Guera Mundial - Molly Guptill Manning



Imagem retirada da internet



Meu exemplar com o início das marcações
Quando os livros foram à Guerra é um texto que ao mesmo tempo nos remete à paixão pela leitura, literatura e claro, aos livros, é um relato histórico de como os livros durante um conflito dessas proporções, pode ser bálsamo e alento para aqueles soldados no front.
Gosto muito de obras que tem como objeto/personagem, o livro e tudo que cerca esse item mágico, sejam as bibliotecas, as livrarias, os livreiros, os editores e por aí vai.

O livro tem 270 páginas, e no Brasil foi editado pela Casa da Palavra, sua autora é Molly Guptill, ela é procuradora de justiça nos EUA, tem mestrado em História e doutorado em Direito, o seu texto tem como base as fontes históricas, trazendo portanto, fotos da época, e os dados disponíveis acerca do envio dos livros aos soldados americanos.

Dividido em 11 capítulos, vamos percorrendo desde a concepção da ida dos livros á Guerra, como todos os benefícios e também entraves à esse projeto. Personalidades, políticos, bibliotecários, livreiros e a população americana toda se envolve para que o projeto dê certo e acalente e aqueça o coração de todos aqueles soldados que estavam ali no front lutando pela liberdade e pela efetiva democracia e igualdade entre seres humanos. Se opondo fortemente à queimada dos livros na Alemanha e ao regime nazista de Hitler.

O livro é uma aula de como a leitura e a educação podem e devem ser aliados à formação do indivíduo como um pleno cidadão, que compreende sua função no mundo e na sociedade em que está inserido.

Estar junto com os soldados no front e acompanhar o relato de algumas histórias vividas e transformadas pela leitura, durante e no pós-guerra foi muito interessante e também gratificante. Alguns dos atores envolvidos nesse projeto, foram os bibliotecários americanos que junto ao Departamento de Guerra conseguiram colocar a ideia em prática.

Uma curiosidade para quem não é iniciado na área dos livros, da leitura e das bibliotecas, que é durante a Guerra que há o surgimento dos livros de bolso, os pocket books. Já que os livros eram de capa dura e maiores, então o peso e o tamanho seriam empecilhos para o transporte dos livros até à frente de batalha e também para os soldados se deslocarem com mais um objeto que pesasse sua já pesada mochila.

Alguns trechos que marquei e achei interessante:


Sobre mobilização: "Entre o final de 1940 e o começo de 1941, os bibliotecários discutiram como proteger as mentes norte-americanas dos ataques amorfos alemães contra as ideiais." p.29

No front: "No front, o soldado precisa ter uma causa no coração e uma arma na mão." Emily Miller Danton, bibliotecária - p.44

Universalização da leitura: "Os livros já não estavam vinculados à riqueza e ao status: tornaram-se passatempo universal e símbolo apropriado à democracia." p.88

O dia a dia dos livros no front: "Cheios de orelhas, mofados e moles por causa da umidade, esses livros encheram de entusiasmo a tropa. Porque são o que são, porque podem ser guardados no bolos de trás da calça, ou enfiados numa mochila, os homens estão lendo onde nunca leram antes (...)" p.102

Pós-guerra: "De novo, os bibliotecários começaram a agir, e as bibliotecas domésticas entraram em sua própria fase de readaptação. Da mesma forma que os bibliotecários prepararam e educaram seus usuários quando os Estados Unidos fizeram a transição para um país em guerra, eles ajudaram o país quando este se desmobilizou." p.196

Reintegração dos veteranos de guerra: "Afinal, se eles podiam ler e aprender entocados numa trincheira, entre explosões de bombas, certamente tinham condições de enfrentar um curso universitário numa sala de aula." p.201

A autora ainda traz apêndices com a lista dos autores proibidos de circular nos países ocupados pelos alemães, notas de cada capítulo, além da listagem dos livros editados pela Armed Services Editions, responsável pela nova cara dos livros no front, e que após a Guerra continuaram a existir até nossos dias.

Alguns pontos negativos na minha opinião: o livro poderia ser maior, mas talvez não foi a intenção da autora. Acredito que há bastante material de pesquisa que poderia ter resultado em mais páginas. Há alguns erros de revisão da tradução, pois há erros de concordância, mas não prejudica a leitura. E por fim, a lista das notas ficou confusa, pois em nenhum momento vi numerações nas páginas do texto e ao fim apareceu essa lista de notas, dessa forma, empobreceu o conteúdo, por que mesmo que estivessem ao final, não estariam perdidas se numeradas. Mas essas observações não tiram o prazer da leitura e do tema do livro.

Para saber conhecer um pouco da Armed Services Editions, você pode clicar aqui.

O documentário Five Came Back disponível na Netflix, e em livro também, com o título, Cinco Voltaram, do autor Mark Harris,  trata do cinema na Guerra, é um outro tipo de linguagem que também auxiliou na contra informação da propaganda nazista e trazia aos americanos informações reais do que estava acontecendo nas frentes de batalha.

Bom, essa foi a minha opinião após a leitura! Recomendo para quem gosta do tema ou para quem tem curiosidade!


Boa leitura!


Por Letícia Alves