sexta-feira, 1 de março de 2013

(In) dor...




A dor que consome meus dias vem lá do fundo da alma e corta de um jeito que nem a mais pura lâmina de aço forjado conseguiria.

Dilacerante e angustiante não escolhe hora, lugar, apenas chega, cortando e rasgando meu peito e me deixa sem ar, como se estivesse a flutuar em mundo desconhecido.

(In)dor, intransigente, pulsante e que não declina, não se curva e se instala como um parasita que suga todas as forças existentes e até aquelas bastante remotas.

Fadiga que acompanha o tilintar do relógio, as nuvens que passam rapidamente sobre a minha cabeça, o tempo vai passando, e tudo ganha uma dimensão imensa.

Fora de mim, fora de tudo, pés sem caminho, direções diversas, pedras na espreita e meu coração a palpitar mais aceleradamente do que o normal.

Sombras soturnas, ruídos desconexos, respiração a falhar, e de onde vem esse mar de lágrimas que inunda minh’alma e transborda a dor que há muito se encontra instalada.

O mundo continua dando voltas, completas, eu diria, mas nesse infinito de dor, parece-me que ele não está dando voltas, permanece imóvel e para mim tenebroso.

Sinto-me cansada, extremamente fadigada e totalmente sem rumo no escuro das noites, no quarto e com a respiração a falhar.

Não enxergo mais cores, tudo é cinza e frio, sentimento que invade um coração que tem lutado tanto, tanto, mas que chora, está triste e dilacerado.

E nesse interminável túnel de dor, a luz ainda é sombria, e o caminhar tem se tornado lento...

(In)suportável dor,

(In) suportável caminhar,

(In) suportável respirar...


Por Letícia Alves

2 comentários:

CE disse...

Katrina passou por aqui...

Quando sentimos assim, é melhor evitar qualquer movimento, pelo menos sempre foi comigo. Embora nao saibamos com certeza, é provável que tais sentimentos caiam e quebrem, como um espelho quando espalha os cacos por toda parte, deixando pra sempre escorregadio, impedindo o nosso caminhar, nosso ir em frente, e tudo que nos resta é “seguir em frente”.

Falar a verdade, quando leio posts assim fico preocupada...

Beijos!

Lunna Guedes disse...

As vezes o sentir é para dentro. Fundo. E a gente vai sem certeza do ir - a gente fica, sem a certeza do ficar.
Respirando fundo no três. rs
bacio