quarta-feira, 14 de março de 2012

Silêncio!...




No fadário que é meu, neste penar,
Noite alta, noite escura, noite morta,
Sou o vento que geme e quer entrar,
Sou o vento que vai bater-te à porta...

 Vivo longe de ti, mas que me importa?
Se eu já não vivo em mim! Ando a vaguear
Em roda à tua casa, a procurar
Beber-te a voz, apaixonada, absorta!


Estou junto de ti, e não me vês...
Quantas vezes no livro que tu lês
Meu olhar se pousou e se perdeu!


Trago-te como um filho nos meus braços!
E na tua casa... Escuta!... Uns leves passos...
Silêncio, meu Amor!... Abre! Sou eu!... 

Florbela Espanca

2 comentários:

C. disse...

Adoro Florbela Espanca, me identifico tanto...

Parece contraditório, mas adoro o silêncio, ele diz moooiiito!

Maravilhosa sexta-feira pra tu :)

Ingrid disse...

amo Florbela...
beijinhos..