quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Não te amo...

Tenho lido algumas coisitas por aí. Sem pressa e ao sabor do vento. E hoje pela manhã em um dia tão lindo e azul, li essa poesia que achei linda e compartilho com vocês.




NÃO TE AMO como se fosses a rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e  graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo que não sou nem és,
tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


Pablo Neruda
In. Cem sonetos de amor
Soneto XVII

4 comentários:

Sil Villas-Boas disse...

Parabéns pela escolha do Neruda. Adorei.
Bjusss
Sil

C. disse...

Tenho gostado de ver e escrever as coisas por um ângulo mais poético, se assim pode se dizer.

Antes achava mais difícil colocá-los no papel.

É muito fácil se deixar levar através de palavras que às vezes mostram, ou escondem, o que de mais intenso e verdadeiro tem dentro de nós, como fez Neruda nesse poema.

O que dizer? Esse entendia do assunto, maravilhoso!

Ingrid disse...

tempestade ,
amo Neruda!..
e tua escolha foi muito feliz...
beijos..
e tem selo de gratidão pra ti lá no blog...pelo que estás sempre junto..

Tatiana Kielberman disse...

Um dos meus poemas preferidos, querida!!

Obrigada por dividí-lo conosco!

Beijocas!