quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Amor em sonetos....

Para intercalar minhas leituras (que andam muito lentas, mais que o normal), comecei devagarinho, o livro Cem sonetos de amor do grande Pablo Neruda, e ontem li esse soneto que posto logo abaixo, que achei de uma delicadeza ímpar. Bem como, também lindo.

Leiam!






AMOR, quantos caminhos até chegar a um beijo, 



que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera. 

Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos. 

Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações 

tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.

Pablo Neruda

3 comentários:

Suzana Martins disse...

Huuuum....

Uma deliciosa leitura!

Beijos

Mylla Galvão disse...

Ando tão desiludida com o amor...
Tenho... Amo...
Mas não sou compreendida...

vá entender!

bjo

Menina no Sotão disse...

Acredite se quiser, mas eu tive uma fase na vida (uma das muitas) em que eu simplesmente não suportava Neruda. Achava-o muito repetitivo. Passou, como o vento que sopra lá fora e anuncia a chuva.


Ps. Agora vou tentar me acostumar com esse vento fresco que vem do seu blog. kkkkkkkkk