domingo, 14 de março de 2010

A um livro..



No silêncio de cinzas do meu Ser
Agita-se uma sombra de cipreste,
Sombra roubada ao livro que ando a ler,
A esse livro de mágoas que me deste.



Estranho livro aquele que escreveste,
Artista da saudade e do sofrer!
Estranho livro aquele em que puseste
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!



Leio-o, e folheio, assim, toda a minh’alma!
O livro que me deste é meu, e salma
As orações que choro e rio e canto! ...



Poeta igual a mim, ai que me dera
Dizer o que tu dizes! ... Quem soubera
Velar a minha Dor desse teu manto! ...

Florbela Espanca

4 comentários:

Mahria disse...

Se eu fosse encadernar, com as mágoas que me deram também faria um livro...

Lindo poema.
Bom domingo.

Bjs
Mah

Mari Amorim disse...

Querida,
divino!
bfs
bjs
Mari

Ursinhu da Juh =] disse...

Lindooooooo como sempre!!!!
Como sao os livros as vezes tao parecidos com nos mesmos. Vemos no dizer do outro coisas que gostariamos de dizer e sentimentos tao bem identificados =].
Aiai quantos livros escrevem a historia de nossa vida =]



bjuuu
fica com DEUS =]

Sonia Schmorantz disse...

Este poema da Florbela eu não não conhecia, achei-o lindo!
beijos, ótima semana