segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O amor, quando se revela…



O amor, quando se revela…

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

Fernando Pessoa

11 comentários:

Lú Silva disse...

Lê o amor é a coisa mais linda que existe. E entre homem e mulher é tão gostoso!!!!

bjos fofos

Sanzinha disse...

Na faculdade, eu costuma colocar vários poemas colados nas capas dos meus cadernos, enfeitados com flores, estrelinhas e outras coisas mimosinhas ao redor deles.
Esse poema também estava lá. Adoro Fernando Pessoa.
E meus cadernos estão aqui até hoje! rsrsrs

Beijão com gosto de doce caseiro! kkkkkkkk
Ótima semana!

Daniel disse...

Muito bonito Letícia.
E tem tudo a ver com o que tem escrito aqui no seu blog.
Beijos

marcelo disse...

Meus parabéns! Está muito lindo! Queria eu ter escrito isso, ou então recebido. Vou ler outra vez! Boa semana e um abraço!

Mahria disse...

"Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!"

Tantas coisas sentimos e não ousamos falar...

Tudo de Amor pra você minha linda.
Bjs
Mahria

Me permita disse...

Gosto muito desse poema de Fernando Pessoa! Essa é a parte que mais gosto:

"Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…"

Um bjo!

Casal do Arrocha disse...

Que lindo flor!
Grande beijo...

Monday disse...

Fernando Pessoa não é só a pessoa, é o cara ... rsss

Adoro poemas onde os jogos de palavras são bem jogados e o encanto final vem desde o começo, a encantar verso a verso ...

E a última estrofe fecha com um sorriso um poema belíssimo!

A Madrasta Má disse...

Amo este poema... maravilhoso!
bjinhos da Madrasta!

Daniel Savio disse...

Lembra um pouco a forma de eu amar, raramente falo...

Fique com Deus, menina Tempestade.
Um abraço.

BAR DO BARDO disse...

I luv Pessoa!