quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Um dia mais....




Mais um dia terminou e ela ia se arrastando de volta pra casa. Cansaço, tédio, preguiça e ainda enfrentando um trânsito lento, fim do dia quente.
Enfim, chegou em casa. Descalçou os pés cansados, se despiu e foi para um banho relaxante e demorado.

A água que caía deslizava pelo corpo esguio e levava até o chão todo aquele cansaço, as angústias de um dia corrido e tudo que a atrapalhava fisicamente e um pouco do que estava dentro da alma.
Mas não lavava a alma completamente! Pra lavar a alma não era de água que precisava...

Mesmo assim terminou seu banho, enrolou-se na toalha e se jogou na cama. Olhando para o teto do quarto sua mente deu voltas e voltas. Pensou no dia exaustivo e ao mesmo tempo sua memória ia de encontro à sua infância, adolescência, o tombo de bicicleta, o primeiro beijo, o primeiro zero na prova de Matemática e vários devaneios.....

A noite chegava e era preciso preparar algo para comer, e infelizmente uma pequena rotina instalada estava ali. Se vestir, comer alguma coisa, ligar a TV, sapear canais e ver que não há nada, desligar, abrir um livro e olhar sempre para o telefone que nunca tocava. Solidão....
Lendo, lendo e eis que ela adormece. Livro para um lado, óculos para o outro e o sono profundo chega.

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O sol entrava pela janela e aqueles pequenos raios invadiam o quarto. Já era hora de levantar e iniciar mais um dia. Mas nem sempre tinha tempo para apreciar da janela aquele amanhecer radiante e lindo, belo, sereno, pois a correria do dia-a-dia e os ponteiros do relógio sempre falavam mais alto.

Ducha rápida, café da cafeteira mesmo, vestindo-se rapidamente e saindo desvairada para o ponto de ônibus. Andando apressada não percebia a beleza das cores, não escutava o canto dos pássaros, e não percebia o sorriso de um bebê passeando na calçada com sua mãe.

Eis que sobe no ônibus, pensamento indo à frente, nada além de trabalho, trabalho. Mas um dia estressante, sem maiores novidades, além das cobranças e chatices.

Fim do dia e tudo outra vez!!!!!
Volta correndo pra casa, pressa, buzina, carros freando, gente gritando....

Ufa!!!! Chegando em casa... tudo de novo???????????????????????
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Despertador tocando... e ela olha: 10 horas da manhã, sol entrando pela janela.. afasta a cortina e contempla a praia linda e bela em seu primeiro dia de férias!!!!!


(Felicité)


Esse é o conto que escrevi para participar do II Concurso Literário Livro Errante

Um comentário:

Lígia disse...

Já ganhou! Já ganhou!
(nem lis os demais...hehe).

Lindo! Retrato do mundo contemporâneo. Somos corpos que andam, trabalham, se locomovem e não tem tempo para si, para o outro. Verdadeira prisão de corpos!

Hora de reflexão.

Para onde caminha a humanidade?