Um dia mais....




Mais um dia terminou e ela ia se arrastando de volta pra casa. Cansaço, tédio, preguiça e ainda enfrentando um trânsito lento, fim do dia quente.
Enfim, chegou em casa. Descalçou os pés cansados, se despiu e foi para um banho relaxante e demorado.

A água que caía deslizava pelo corpo esguio e levava até o chão todo aquele cansaço, as angústias de um dia corrido e tudo que a atrapalhava fisicamente e um pouco do que estava dentro da alma.
Mas não lavava a alma completamente! Pra lavar a alma não era de água que precisava...

Mesmo assim terminou seu banho, enrolou-se na toalha e se jogou na cama. Olhando para o teto do quarto sua mente deu voltas e voltas. Pensou no dia exaustivo e ao mesmo tempo sua memória ia de encontro à sua infância, adolescência, o tombo de bicicleta, o primeiro beijo, o primeiro zero na prova de Matemática e vários devaneios.....

A noite chegava e era preciso preparar algo para comer, e infelizmente uma pequena rotina instalada estava ali. Se vestir, comer alguma coisa, ligar a TV, sapear canais e ver que não há nada, desligar, abrir um livro e olhar sempre para o telefone que nunca tocava. Solidão....
Lendo, lendo e eis que ela adormece. Livro para um lado, óculos para o outro e o sono profundo chega.

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O sol entrava pela janela e aqueles pequenos raios invadiam o quarto. Já era hora de levantar e iniciar mais um dia. Mas nem sempre tinha tempo para apreciar da janela aquele amanhecer radiante e lindo, belo, sereno, pois a correria do dia-a-dia e os ponteiros do relógio sempre falavam mais alto.

Ducha rápida, café da cafeteira mesmo, vestindo-se rapidamente e saindo desvairada para o ponto de ônibus. Andando apressada não percebia a beleza das cores, não escutava o canto dos pássaros, e não percebia o sorriso de um bebê passeando na calçada com sua mãe.

Eis que sobe no ônibus, pensamento indo à frente, nada além de trabalho, trabalho. Mas um dia estressante, sem maiores novidades, além das cobranças e chatices.

Fim do dia e tudo outra vez!!!!!
Volta correndo pra casa, pressa, buzina, carros freando, gente gritando....

Ufa!!!! Chegando em casa... tudo de novo???????????????????????
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Despertador tocando... e ela olha: 10 horas da manhã, sol entrando pela janela.. afasta a cortina e contempla a praia linda e bela em seu primeiro dia de férias!!!!!


(Felicité)


Esse é o conto que escrevi para participar do II Concurso Literário Livro Errante

Comentários

Lígia disse…
Já ganhou! Já ganhou!
(nem lis os demais...hehe).

Lindo! Retrato do mundo contemporâneo. Somos corpos que andam, trabalham, se locomovem e não tem tempo para si, para o outro. Verdadeira prisão de corpos!

Hora de reflexão.

Para onde caminha a humanidade?

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