quarta-feira, 9 de abril de 2008



POEMA NÚMERO 7


Debruçado na tarde lanço a mais triste rede

aos teus olhos oceânicos.


Nela se estende e arde na mais alta fogueira

minha solidão que gira os braços como um náufrago.


Faço rubros sinais a teus olhos ausentes

que ondulam, como à beira de um farol, o oceano.


Guardas apenas trevas, fêmea longínqua e minha.

De teu olhar emerge às vezes o litoral do espanto.


Debruçado na tarde lanço a mais triste rede

a esse mar que sacode os teus olhos oceânicos.


Os pássaros noturnos bicam as primeiras estrelas

que cintilam como minha alma quando te amo.


A noite galopa em sua égua sombria

esparramando azuis espigas pelo campo.


(Pablo Neruda / “20 Poemas de Amor e uma Canção Desesperada”)

Um comentário:

Kassandra Viana disse...

Lê, não saba que a senhorita tinha um blog! Que lindo!!! Tudo aqui exala bom gosto, sabedoria, sensibilidade... Ah, vou linkar lá no Borboletras, posso?

Beijos!