sábado, 20 de abril de 2013

O Amor é...




O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor é um prêmio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. O amor é alegria. O amor é tristeza. É ciúme, orgasmo, êxtase. O nós, o outro, a ciência da vida. O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força. O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz. O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda. Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te. O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz. O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sonhos que aprisionam...



“Havia na minha casa, até uns dias atrás, uma travessa cheia de pedras”. 

Elas eram de cores, tamanhos e formatos diferentes. Tinham em comum o fato de haverem sido coletadas em viagens. Se eu estivesse num lugar especial, procurava uma pedra bonita e a metia no bolso. Mais tarde, de volta em casa, juntava o item novo à coleção. Haveria, talvez, umas 30 pedras na travessa. Na semana passada, preparando a casa para uma reforma, disposto a recomeçar a vida, decidiu que era hora de me livrar de coisas que eu vinha acumulando desnecessariamente há pelo menos 10 anos. Rodaram roupas, objetos, revistas, livros e, claro, as pedras. Mas não foi fácil. Cada vez que eu punha uma coisa de lado, com a disposição de me livrar dela, algo me incomodava profundamente. Havia uma dor ali, ou várias dores diferentes. 

As pedras eram partes do passado que, de alguma forma, eu tentava agarrar e materializar. Os livros, vários que eu nunca tinha lido, representavam uma inquietação pelo futuro: agora eu nunca saberia o que há dentro deles. As roupas, muitas delas sem usar a anos, ficavam me acenando do chão, empilhadas, com as situações que haveriam de vir e nas quais eu sentiria falta delas. O nome desse sentimento inquietante é apego. A gente se agarra às coisas, como se agarra às pessoas e às ideias. Na verdade está tudo entrelaçado. As coisas representam pessoas, que nos remetem a sentimentos e ideias. Ou representam sentimentos e ideias, que nos lembram de pessoas. Qualquer que seja a ordem, esse sentimento é um fardo. Tentando reformar e recomeçar, tentando reiniciar a vida, a gente percebe como é difícil deixar as coisas para trás. Inclusive os sonhos e os planos, por mais banais e genéricos que sejam. 

Assim como nos apegamos a livros que nunca lemos, ou CDS que nunca ouvimos também nos apaixona por coisas que nunca vivemos e gostaríamos de viver, embora não sejamos capazes de explicá-las ou defini-las. Essa forma de apego é vaga, mas tem uma força brutal sobre as nossas ações. A esperança de viver coisas espetaculares (mas indefinidas) no futuro impede que a gente se mova no presente. 

Ela leva, por exemplo, algumas pessoas a protelar indefinidamente relações afetivas duradouras. Elas não conseguem renunciar ao sonho de perfeição do conto de fadas ou abrir mão das possibilidades eróticas oferecidas por um planeta com seis bilhões de pessoas. Isso equivale à dificuldade de jogar fora um DVD que nunca foi visto. É apego pelo desconhecido. Tenho a impressão de que esse sentimento pelo futuro é o maior obstáculo à mudança na nossa vida. O passado é uma entidade com peso e qualidade definidos. Lidamos com ele todos os dias. Desapegar não é simples, como mostra a minha coleção de pedras, mas pode ser negociado, como sabem os analistas. Memórias podem ser reavaliadas, experiências podem ser diluídas no tempo. 

Podemos chegar à conclusão que sobreviveremos ao grande amor e ao grande trauma - e com algum pesar, por um e por outro, somos capazes de enterrá-los em alguma medida. O futuro é outra história. Nele residem todas as nossas expectativas. Depositamos neles nossas aspirações práticas e subjetivas. Em direção a ele arremessamos os nossos desejos não realizados, a redenção das nossas frustrações. No futuro encontra-se a pessoa que desejamos ser. A felicidade mora lá e nos assombra como um fantasma a cada minuto da nossa vida.

Não saberíamos viver sem ela. Seria desumano. É contra essa esperança enorme, avassaladora e perniciosa que temos de lutar todos os dias para tomar conta da nossa vida. Não basta olhar para trás e se livrar das coleções de pedras. Ou das roupas velhas. Para começar de novo, em qualquer idade, temos de jogar fora os sonhos embolorados e as ilusões.Precisamos nos livrar do futuro sem rosto que nos assombra. É provável que a felicidade, como coisa duradoura, não exista. Mas, se ela pode ser encontrada em algum lugar, ainda que de forma fugidia, é no presente. Para enxergá-la, precisamos estar de olhos bem abertos, livres das sombras do passado e das luzes que cegam no futuro. Não é fácil, mas quem disse que a vida é simples?"

Autoria: Ivan Martins

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Alguém...



Alguém que me deu a mão,

Alguém que me olhou nos olhos,

Alguém que me deu um abraço,

Alguém que enxugou minhas lágrimas, mas acima de tudo as compreendeu,

Alguém que me protegeu,

Alguém que foi terno,

Alguém que apareceu.



Alguém....

Por Letícia Alves

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O velho e o mar...


Eu reli esse inesquecível livro, em dois dia. A história de Santiago para mim, ainda continua sendo uma lição de vida, e um estímulo a mais para prosseguir sempre.
São 126 páginas de uma história profunda e rica de sentidos, a releitura me fez bem, e acredito que outras pessoas que ainda não tiveram a oportunidade, se dêem essa possibilidade de novas leituras e outros aprendizados.

Há um filme - The Old Man and the Sea  - do ano de 1958 (o qual ainda vou assistir, e você pode baixar aqui), que me parece interessante para visualizar após uma leitura, lembrando sempre, que o livro é uma linguagem, e o cinema outra. Por isso, eu nunca faço comparações entre filmes e séries que são adaptadas de livros.

E há também uma animação bem legal que encontrei no Youtube.



Recomendo!

Por Letícia Alves

domingo, 7 de abril de 2013

Dores... (In) dores... (in) colores...


Eu sempre pensei que a vida era assim, cheia de altos e baixos, a gente ia cair, se machucar, mas ia se levantar de novo. Ia espanar a poeira da roupa, passar a mão no joelho que estaria ralado, ia falar um "ai", mas ia seguir em frente.

No outro dia você ia se lembrar de forma engraçada desse tombo, e claro, quando a água do banho com o sabonete fosse direto ao joelho, de novo você ia gritar um "ai", mas ele seria mais brando, apenas uma pequena ardência, até que dias depois, não teria mais isso e ficaria, quem sabe, uma pequena cicatriz.

Os dias iriam passar, você poderia chorar um dia, rir no outro, ou até chorar de tanto rir. Mas você teria forças, e suas pernas te levaria para os caminhos que você pretendia seguir e até por aqueles caminhos que você também nem sabia que existia. O nome disso para mim: é vida, é o aprendizado.

Só que tem uma coisa que ninguém contou, ou por que não quis, ou por que não sabia: que muitas vezes os baixos vão demorar mais para se tornarem os altos. Que a gente ia tropeçar, cair, machucar, levantar de novo, mas mesmo espanando a poeira da roupa, passando a mão no joelho ralado, e sentindo todos os "ais" dessa dor. A dor continuaria latente, persistente, cortante por muito tempo, e você não ia conseguir mais rir até chorar. Pois agora você só consegue chorar até não conseguir mais falar. E fica sempre na expectativa que essa ferida se feche e fique apenas uma cicatriz que você vai se lembra bem depois. O tamanho dessa cicatriz não importa, mas você a deseja mais que tudo nesse momento de dor e lágrimas.

É a vida e o aprendizado, mas ninguém contou que doía mais em algumas pessoas do que nas outras, e que também na maior parte desse tempo você não teria ninguém ao seu lado,  mas ao mesmo tempo teria Deus, que fica te olhando e amparando sua queda. Mas você cai mesmo assim, e o levantar tem de vir Dele, e o meu tempo, o seu tempo, não é igual o Dele. Por isso, a dor latente, pungente, ainda persiste.


Por Letícia Alves

Um dia diferente...

Uma das muitas flores que ela recebeu ao longo da vida - essa é de 2009

Hoje seria o aniversário da pessoa mais especial da minha vida: minha mãe.

Ela se foi, e os ensinamentos dela, o amor, o carinho, a atenção e tudo de melhor que ela podia oferecer como ser humano e como mãe, estão comigo.

Ela não gostava muito de comemorações, e todo aquele protocolo, mas os parabéns sinceros, um abraço apertado, e uma oração por ela, isso sim a cativava e a deixava com brilho no olhar.

É, mãe... hoje você está lá como estrela que brilha a me guiar.


Sempre te amarei!

                                                                                                                                   Por Letícia Alves

sábado, 6 de abril de 2013

O Mar - John Banville


Bom, não sei bem como esse título me chamou a atenção. Talvez buscando ao longe (tá bom, nem tão longe assim), pode ter sido que meu cérebro fez uma inferência ao livro O velho e o mar de Ernest Hemingway. Quando eu li "O velho e o mar", um livro de poucas páginas e tão profundo, saí da leitura com a sensação de que jamais leria outro livro igual. E é verdade, a gente nunca lê um livro igual ao outro, a gente não faz a mesma observação em uma releitura, enfim, O mar de John Banville me chegou, primeiro pela lembrança de um título de outro livro, e também, por que vi no Skoob da Ladyce, que pra mim é uma boa mina de novos títulos, pois leio as opiniões dela, e também, mesmo quando não concordo, eu acabo lendo pra conhecer também.


A sinopse do livro nos conta o seguinte: "Neste romance, John Banville constrói uma narrativa emocionante, trabalhando a linguagem como um grande artista. Em 'O mar', Banville conta uma história com vários momentos, na qual o narrador, Max Morden, procura viver o presente e o futuro no passado, na busca por recuperar-se da constante presença da morte."

Banville constrói sua narrativa com idas e vindas em seu passado, presente e por assim dizer a projeção do futuro. Narrativa entrecortada, mas que com as palavras certas, e um certo tom irônico e às vezes cômico, nos leva a participar da história, da sua dor, da construção da sua vida e dos momentos por vezes imaginário.

Lidar com perdas, com dor, não é tarefa simples, mas não o torna um livro pesado e arrastado, pelo contrário, apesar de ter deixado em mim algumas marcas, é uma narrativa que nos faz pensar em algumas coisas sim, acerca da vida e da morte.

Em alguns trechos do livro, nos identificamos, pois a linguagem simples e clara do autor, nos leva a essa imediata empatia.

"Há momentos em que o passado tem tanta força que parece que vamos ser aniquilados por ele." página 43


E mais um trecho que me fez pensar bastante:


"Os últimos raios de luz do dia, que eu podia ver em parte pela metade superior da janela do bar que não era pintada, tinham aquela tonalidade raivosa de um marrom-arroxeado que acho comovente, mas, ao mesmo tempo, perturbadora, e que é a própria cor do inverno. Não que eu tenha algo contra o inverno; na verdade, é a minha estação favorita, juntamente com o outono; mas, este ano, esse brilho de novembro parecia o presságio de algo mais do que o inverno, e mergulhei num clima de amarga melancolia." página 212


Eu terminei a leitura assim, dando um suspiro que veio lá do fundo da alma.

Os livros nos escolhem e sempre nos impregnam com suas linhas e palavras, para mim é mágico, por vezes curativo, por vezes arrebatador e também serve de alerta.

A leitura preenche meus dias, meu ser e minha vida, sou grata aos livros por muitas coisas.

E esse livro é mais um dos especiais para mim, e foi um presente da Lunna Guedes.


Por Letícia Alves

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Morte...



"A Morte é a única conselheira sábia que temos. Sempre que você sentir que tudo vai de mal a pior e que você está a ponto de ser aniquilado, volte-se para a sua Morte e pergunte-lhe se isso é verdade. Sua Morte lhe dirá que você está errado. Nada realmente importa fora do seu toque... Sua Morte o encarará e lhe dirá: "Ainda não o toquei." página 263


 Ostra feliz não faz pérola - Rubem Alves

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Abril... A(briu)....



Mais um mês chegou, 
E com ele,
A esperança,
De novos dias...

Novas histórias,
E a cada dia,
Novas lutas,
Mas creio,
Em novas vitórias.


Seja bem-vindo Abril...
A(brin)do novos caminhos...



Por Letícia Alves