quarta-feira, 27 de junho de 2012

O sol... a vida... um laço...









O dia amanheceu ensolarado,
Com seus raios fulgurantes e fortes.
Aqueles mesmo raios que tanto desejei ontem à noite,
Naquela noite fria e tenebrosa.

Não, não gosto da noite,
É nela que as lágrimas surgem,
Os pensamentos fogem,
E a alma fica inquieta.

Gosto do dia,
Do sol,
Das nuvens que olham pra mim,
Do som diurno.

Hoje tem sol,
Mesmo no dia de inverno,
Ele me aquece e me conforta,
Como em um abraço forte.

Pois hoje, eu só precisava de um abraço e mais nada...


Por Letícia Alves

Névoas...





A noite adentrou minha janela,
Trazendo consigo um pequeno raio de luar.
Tudo está tão escuro,
Não me enxergo.


É um dos momentos mais perturbadores pra mim,
Os ponteiros do relógio tornam-se meus inimigos,
Pensamentos tilintam sem parar.


Névoas cobrem meus olhos,
São lágrimas que derramo,
E que não me deixam ver adiante.


Mas é preciso vencer obstáculos,
Mesmo que seja a noite.

Vou conseguir, 
Pois logo,
Irá despertar,
Um novo dia,
Com seus belos raios de sol.

Mas mesmo que o sol não venha,
Terei claridade,
Verei diante e adiante de mim.

Me enxergarei,
Mesmo que eu siga sem me compreender.

Por Letícia Alves




domingo, 24 de junho de 2012

Inconstância...







Inconstância...


Um adjetivo talvez não muito bem visto.
Sim, sou inconstante,
Não sei ser a mesma sempre.
Mas não quer dizer que eu seja falsa.


Eu apenas gosto de movimento,
De novidades, de coisas acontecendo.


Não sei se meu coração também é inconstante,
Ele me diz uma coisa hoje, mas amanhã já é outra coisa.
Não entendo.


Não sei se minha vida também é inconstante,
Hoje ela me leva pra um lado, amanhã para outro,
Mesmo que eu decida de outra forma.


Não sei se meus pensamentos são inconstantes,
Hoje penso de uma forma,
Amanheço pensando de outra forma.


Talvez no fundo isso não seja inconstância,
Seja aprendizado, amadurecimento...


Ando inconstante...




Por Letícia Alves

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Noite...



Noite pertubadora,
É a mesma noite que,
Acalenta meus sonhos.


Noite intensa,
Sentimentos a flor da pele,
Sustos e suspiros.


Sempre é a mesma noite,
Que me traz a certeza,
De um novo amanhecer...


Noite perturbadora,
Solitária,
Enigmática,
É a mesma noite,
Que me conduz,
Ao abismo...


Noite perturbadora,
É a mesma noite,
Que enxuga minhas lágrimas,
Aquece meu coração,
Escuta meus soluços.


Sempre é a mesma noite...


Por Letícia Alves

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dias, manhãs, a vida...



O amor... alimento da alma.
A esperança... alimento diário.
O carinho... gotas que regam os alimentos que crescem.


Eu só quero a paixão,
Que eleva todos os alimentos que o carinho rega.


Nutrindo a alma e todo o nosso ser...


Manhã nublada de gotas coloridas, 
Sentimento bom.
Nuvens espessas,
Tempestade se aproxima.




Pensamentos a divagar...






Por Letícia Alves

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Noites & Manhãs...





E era manhã...
Um dia claro,
Raios de sol fortes,
Batendo na janela.


Abriu os olhos,
Espreguiçou como em
Todas as manhãs,
E ao olhar para o lado...


Ele estava ali.


Real,
Pleno,
Indefeso,
Aberto,
Sincero,
Amoroso,
Tocante.


Ela deu um sorriso,
Pousou a mão em suas costas,
Ele suspirou,
Ela o cobriu com o lençol,
O mesmo lençol que presenciou,
Seu dia mais especial,
Sua noite de alegria.
Ela se levantou.


E novamente era noite,
As estrelas emolduradas e
Cintilantes,
Anunciavam uma bela noite.


Ele olhou nos olhos dela e sorriu,
Ele a tocou e a abraçou,
Ele tremeu,
Ela suspirou,
Eles se abraçaram,
Era noite,
A mesma noite,
Que embalou dias especiais e
Coloridos.


A mesma noite,
Que anunciava,
Uma nova manhã,
Na qual ele partiu.


E ela então decidiu,
Ir ao seu encontro,
O horário?
Será em uma noite,
A mesma noite?


(continua...)


Por Letícia Alves


sábado, 16 de junho de 2012

Eles...



Ela: Você preenche os meus dias... Você me faz rir...Você me faz sorrir... Eu penso sempre em você... Eu faço coisas pensando em você... Eu quero você... Eu gosto um tanto de você... Eu tenho medo... 

E não tô nem aí...





Ele: eu também penso em você e tenho saudades...






quinta-feira, 14 de junho de 2012

Me ame...



Me ame pela manhã,
Raios que entram,
E iluminam nossos corpos,
Na penumbra.


Se apaixone por mim,
Pela tarde,
Onde os raios fortes,
Aquecem nossas almas.


Enfim, faça amor comigo,
Em todas as horas do dia,
Naquele desenfreio de mãos,
Bocas, sentidos,
E no intenso cadenciar de quadris.


Trazem furor e um gozo infinito...


Por Letícia Alves

terça-feira, 12 de junho de 2012

Caso do Vestido - Carlos Drummond de Andrade



Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?

Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.

Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida?

Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai evém chegando.

Nossa mãe, dizei depressa
que vestido é esse vestido.

Minhas filhas, mas o corpo
ficou frio e não o veste.

O vestido, nesse prego,
está morto, sossegado.

Nossa mãe, esse vestido
tanta renda, esse segredo!

Minhas filhas, escutai
palavras de minha boca.

Era uma dona de longe,
vosso pai enamorou-se.

E ficou tão transtornado,
se perdeu tanto de nós,

se afastou de toda vida,
se fechou, se devorou,

chorou no prato de carne,
bebeu, brigou, me bateu,

me deixou com vosso berço,
foi para a dona de longe,

mas a dona não ligou.
Em vão o pai implorou.

Dava apólice, fazenda,
dava carro, dava ouro,

beberia seu sobejo,
lamberia seu sapato.

Mas a dona nem ligou.
Então vosso pai, irado,

me pediu que lhe pedisse,
a essa dona tão perversa,

que tivesse paciência
e fosse dormir com ele...

Nossa mãe, por que chorais?
Nosso lenço vos cedemos.

Minhas filhas, vosso pai
chega ao pátio.  Disfarcemos.

Nossa mãe, não escutamos
pisar de pé no degrau.

Minhas filhas, procurei
aquela mulher do demo.

E lhe roguei que aplacasse
de meu marido a vontade.

Eu não amo teu marido,
me falou ela se rindo.

Mas posso ficar com ele
se a senhora fizer gosto,

só pra lhe satisfazer,
não por mim, não quero homem.

Olhei para vosso pai,
os olhos dele pediam.

Olhei para a dona ruim,
os olhos dela gozavam.

O seu vestido de renda,
de colo mui devassado,

mais mostrava que escondia
as partes da pecadora.

Eu fiz meu pelo-sinal,
me curvei... disse que sim.

Sai pensando na morte,
mas a morte não chegava.

Andei pelas cinco ruas,
passei ponte, passei rio,

visitei vossos parentes,
não comia, não falava,

tive uma febre terçã,
mas a morte não chegava.

Fiquei fora de perigo,
fiquei de cabeça branca,

perdi meus dentes, meus olhos,
costurei, lavei, fiz doce,

minhas mãos se escalavraram,
meus anéis se dispersaram,

minha corrente de ouro
pagou conta de farmácia.

Vosso pais sumiu no mundo.
O mundo é grande e pequeno.

Um dia a dona soberba
me aparece já sem nada,

pobre, desfeita, mofina,
com sua trouxa na mão.

Dona, me disse baixinho,
não te dou vosso marido,

que não sei onde ele anda.
Mas te dou este vestido,

última peça de luxo
que guardei como lembrança

daquele dia de cobra,
da maior humilhação.

Eu não tinha amor por ele,
ao depois amor pegou.

Mas então ele enjoado
confessou que só gostava

de mim como eu era dantes.
Me joguei a suas plantas,

fiz toda sorte de dengo,
no chão rocei minha cara,

me puxei pelos cabelos,
me lancei na correnteza,

me cortei de canivete,
me atirei no sumidouro,

bebi fel e gasolina,
rezei duzentas novenas,

dona, de nada valeu:
vosso marido sumiu.

Aqui trago minha roupa
que recorda meu malfeito

de ofender dona casada
pisando no seu orgulho.

Recebei esse vestido
e me dai vosso perdão.

Olhei para a cara dela,
quede os olhos cintilantes?

quede graça de sorriso,
quede colo de camélia?

quede aquela cinturinha
delgada como jeitosa?

quede pezinhos calçados
com sandálias de cetim?

Olhei muito para ela,
boca não disse palavra.

Peguei o vestido, pus
nesse prego da parede.

Ela se foi de mansinho
e já na ponta da estrada

vosso pai aparecia.
Olhou pra mim em silêncio,

mal reparou no vestido
e disse apenas: — Mulher,

põe mais um prato na mesa.
Eu fiz, ele se assentou,

comeu, limpou o suor,
era sempre o mesmo homem,

comia meio de lado
e nem estava mais velho.

O barulho da comida
na boca, me acalentava,

me dava uma grande paz,
um sentimento esquisito

de que tudo foi um sonho,
vestido não há... nem nada.

Minhas filhas, eis que ouço
vosso pai subindo a escada.


Texto extraído do livro "Nova Reunião - 19 Livros de Poesia", José Olympio Editora - 1985, pág. 157.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cartografia de desejos...





Na cartografia das suas mãos,
Nas montanhas do ser, e nas curvas do desejo,
E na escala de prazeres calvagados,
Transbordo em rios de prazer...


Por Letícia Alves

sábado, 9 de junho de 2012

O depois... o durante...



Não gosto do depois,
Das lembranças,
Dos cheiros,
Dos suores e das sensações.


Não gosto do depois,
Do sabor amargo na boca,
Dos dedos trêmulos,
Dos pensamentos soltos.


Gosto do durante,
Do riso com vontade,
Do perfume que exala,
Da temperatura dos corpos.




Gosto do durante,
Da simbiose,
Do querer,
Da carne trêmula,
Do sentir.
E do gozo sem fim...




Por Letícia Alves

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Um dia... dois dias... centenas...





Um dia após o outro, é assim que se diz que as coisas vão melhorar.
Ditado popular, um adágio de consolo? Não sei.
Um dia é bom, outro não é, a vida vai seguindo em caminhos e descaminhos.
Fortunas e desafortunas...
Pedaços de uma vida,
Sentidos desentendidos.
Tristezas e alegrias desmedidas.
Essa é a vida.


Mas por que certas coisas ocorrem fora do script?
Apenas por que não estavam escritas, e se estivessem, sempre tem uma borracha pra apagar os riscos do lápis da criação.
Criar ou recriar?
Começar ou recomeçar?
Perguntas em um fim de noite desagradável.
Mas o que é agradável?




Vidas cruzadas, entrecortadas, 
Caminhos e descaminhos de uma busca sem fim.




Por Letícia Alves

terça-feira, 5 de junho de 2012

sábado, 2 de junho de 2012

Preencha-me...






Preencha-me com seu calor,
Preencha-me com seus beijos,
Preencha-me com seus sussurros,
Preencha-me com todo o desejo.



Preencha-me a alma,
Preencha-me o corpo em fusão,
Preencha-me sempre,
E nunca me deixe vazia!

Por Letícia Alves

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Junho...


Nem tinha ido dormir, quando Junho chegou...

Assim devagar, numa madrugada quente que não me lembrava nem Outono e nem mesmo o Inverno que daqui a pouco chegará, segundo o calendário.

Mas a natureza é caprichosa, e traz os dias como presente, e nós na esperança que nos é peculiar, tentamos desenhar em cada um deles uma nova história.

História essa cheia de tentativas, de acertos, de erros, de alegrias, de tristezas, de paz, de amizade, de tumulto, de amor, de esperança, de tantos sentimentos contraditórios e totalmente humanos.

É, Junho chegou....

Me deixando um Maio especial na memória e na alma. Muitas risadas, aprendizado, alegria e novos ares...

É, Junho.... seja bem-vindo!

E vamos escrever novas histórias em mais um mês novinho em folha.


Por Letícia Alves